segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Terapia do Espelho

O ser humano possui um grande anseio por relacionamentos. Praticamente toda a atividade do homem na Terra envolve comunicar-se, trocar experiências e sensações com seus semelhantes, em vários níveis e esferas. Considerando sobre isso, a filosofia grega, por meio de Aristóteles, chamou o homem de zoo politikon, um ser social por natureza.
Ao intuir um traço tão profundo da natureza humana, os filósofos apenas tatearam uma verdade espiritual,pois é o próprio Criador quem proclama, desde o Gênesis: “Não é bom que o homem esteja só”.
É bom que se repare: Proclama (e não proclamou): pois, ainda hoje, a mesma voz celestial continua a ecoar em cada coração, lembrando o homem do total vazio e sem sentido de uma vida solitária e isolada. “Como olhando para a água, a face reflete a face, assim o coração de alguém acha seu reflexo em outro" (Provérbios 27:19)
No caminho para o auto-aperfeiçoamento e refinamento de caráter, dependemos de relacionamentos, os mais diversos deles. É lidando com nossos semelhantes que nossas virtudes e defeitos aparecem, como se estivéssemos contemplando um espelho.
Isto é particularmente verdadeiro no nível mais profundo que um relacionamento pode alcançar: o casamento. Não importa o quão bem-sucedida uma pessoa seja em outras áreas de sua vida, é na vida conjugal que ela terá a exposição mais clara e evidente de todos os seus sucessos e fracassos,“espelhados” no comportamento do cônjuge para consigo.
O “x” da questão (e, talvez, a razão pela qual tantos relacionamentos têm fracassado tão tristemente) é que nem todos, ao mirarem-se neste “espelho”, decidem aceitar facilmente aquilo que vêem. Em um mundo em que o individualismo vem tornando-se a lei, a tentação é dar as costas para a realidade,culpando o cônjuge por não satisfazer as nossas expectativas, ao invés de confrontar, sinceramente, as
nossas próprias deficiências e contradições pessoais.
“Tudo Aquilo que Quereis que os Outros Vos Façam, Fazei Também a Eles” –(Lucas 6:31)

Muito se fala sobre a necessidade de comunicação no casamento, mas esta comunicação não precisa ser feita com palavras (em alguns casos é realmente aconselhável não usá-las...)3. É surpreendente como uma atitude, ainda que pequena, mas feita com profunda devoção ao outro produz uma resposta imediata (aqui, como na Física, para cada ação há uma reação: é dando que se recebe4). Pequenas gentilezas,
palavras doces, “surpresas”, momentos de alegria e espontaneidade proporcionados ao outro geram um “reflexo” positivo, fazendo com que se sinta o desejo de retribuir.
É preciso livrar-se de uma perspectiva egoísta para se entregar, de coração, ao outro. Sem esta entrega,o casamento perde sua essência de uma união de almas6, e corre o risco de se tornar uma mera sociedade. A vida moderna demanda tanta energia na busca de “metas pessoais” (ou seriam individuais?)que se acaba perdendo, facilmente, o foco no outro. No entanto
,“(...) importa é que cada um de vós ame
a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido"
.

“All You Need is Love”

Tudo aquilo que foi dito acima é quase um exercício de futilidade se comparado ao Amor tal qual aprendemos do Eterno: Aquele que tudo perdoa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Mesmo quando as coisas não vão bem, é preciso crer, com toda a fé, no poder inesgotável e restaurador do Amor, pois este sempre prevalece - às vezes contra todas as expectativas. Que possamos, então, refletir este Amor em
nossos relacionamentos!


Comunidade Moriah
Av. Agenor Couto de Magalhães – 171 – CEP: 05174-000
Pirituba – São Paulo - SP
Cultos: domingos às 18h

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